Interesante entrevista a este “maestro” internacional del crioulo.
Por Estela Facchin-Brasil.

En idioma original.
“Ele é conhecido por muitos como Mestre. Um dos grandes conhecedores da raça crioula, o médico veterinário Gilberto Loureiro de Souza foi jurado da Morfologia e do Freio de Ouro por muitos anos, julgou exposições e provas pelo Brasil, Argentina, Uruguai e Chile.


Presidiu a comissão de Provas Funcionais da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC), esteve à frente do Conselho Técnico da entidade por duas vezes, e durante 18 anos foi o Superintendente do Serviço de Registro Genealógico da associação.
Desde 1994, administra a Viragro Agropecuária (antigo afixo Capela), que neste ano conta com três finalistas na disputa pelo Freio de Ouro: Viragro Rio Bravo, Viragro De Briga e Viragro Fina Estampa.
Mestre Gilberto, ou Alemão Gilberto, como também é chamado, estreia hoje o quadro Entrevista aqui no Blog do Freio, espaço dedicado a um bate-papo com personalidades do Cavalo Crioulo. Gilberto Loureiro de Souza fala da evolução da raça e do próprio Freio, de julgamento e de um assunto polêmico: a profissionalização dos jurados.


¿Temos hoje um Cavalo Crioulo muito diferente de 1932, quando foram registrados os primeiros exemplares no Brasil. Como você considera a evolução da raça por aqui?
Exatamente, ficamos até o início da década de 1970 com um cavalo carente de direcionamento e aperfeiçoamento para a sua real finalidade. A partir dos anos setenta começou uma busca no sentido de valorizar os animais realmente capazes morfológica e funcionalmente.
Esta mudança passou a observar inicialmente as características morfológicas dos animais para na sequência medir o seu desempenho. Esta metodologia desenvolvida no Brasil, de iniciar os julgamentos funcionais com avaliação morfológica, permite aos jurados a comprovação imediata da sua escolha, fato este que sem sombra de dúvidas determinou a formatação de conceitos e modelos de indivíduos, que permanecem vigentes.


¿Fato de não haver mais o intercâmbio comercial com o Chile pode influenciar no padrão da criação brasileira daqui a alguns anos?
Seguramente, vamos deixar de incorporar algumas linhagens que sequer conhecemos, e que na sequência poderão fazer falta, no momento em que necessitarmos de uma nova alternativa genética.
As possibilidades de acerto passam, obviamente, pelo número de opções que temos.
O Freio de Ouro é a principal ferramenta de seleção da raça.


¿Como você avalia a configuração da prova?
O Freio de Ouro conta com uma configuração e dinâmica baseadas em fundamentos sólidos e indispensáveis para que uma avaliação desta natureza tenha o poder que tem, nos rumos e orientação seletiva da Raça Crioula.
¿O que mais evoluiu no Freio de Ouro ao longo de 34 anos de competição?
Foram os cavalos e os ginetes. Precisa ser dito que estas duas visíveis evoluções aconteceram em virtude do trabalho direcionado de criadores e técnicos, que ao longo do tempo aperfeiçoaram os seus cruzamentos genéticos, melhoraram os métodos de criação, investiram em melhoria da mão de obra, técnicas de manejo, planejamento de campanha, métodos de avaliação de desempenho mais rígidos, atitudes decisivas para obter resultado.
Você julgou a raça por muitos anos, hoje tem um filho que julga. 


¿Acredita que o julgamento do Freio também evoluiu?
Evoluiu muito pouco. Não foi realizada, até hoje, uma dinâmica capaz de melhorar o padrão dos jurados melhores. Houve tentativas, porém, ineficientes, por não terem sequência e acompanhamento.
Não sou favorável ao aumento do número, e sim ao aprimoramento do grupo principal, precisamos ainda criar consenso em torno das virtudes e defeitos, pois temos notas iguais para coisas diferentes e notas diferentes para coisas iguais, entre tantos outros detalhes.


¿Você é a favor da profissionalização dos jurados?
Sim. O profissionalismo é a maneira certa de interpretar outras tantas atitudes profissionais tomadas anteriormente aos eventos morfológicos e funcionais. Faz algum tempo que o profissionalismo vem sendo solicitado e não implementado, com respostas que não convencem. O primeiro detalhe que surge, pagar jurado, não resolve. Profissionalismo até passa por aí, mas o decisivo é um corpo de jurados com submissão a um Colégio de Jurados atuante, avaliado constantemente, com um grupo principal definido, com consenso e critério, fazendo jus às nossas expectativas e necessidades.
Os jurados são decisivos no processo de evolução e cristalização de princípios fundamentais. Os métodos empregados para promover jurados precisam ser mais exigentes.


¿Até quando os jurados vão doar o seu tempo, o convívio familiar, o desgaste do seu automóvel, administrar possíveis desavenças única e exclusivamente por amor à raça?
A nossa Associação [ABCCC] conta hoje com aproximadamente 60 núcleos, não sei o número correto, e um batalhão de jurados à sua disposição, mas precisa prestar atenção.
Administrar crescimento é muito mais difícil do que sair da estagnação.
Precisamos de atitude, coragem de implementar e dar respostas adequadas a quem investe e produz com muito esforço, o combustível para movimentar o mundo do Cavalo Crioulo”.